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Lipedema e emagrecimento: entenda por que a perda de peso nem sempre reduz medidas nas pernas e braços
Barbara Reis celebra primeira vez saindo de short depois de cirurgia de lipedema Perder peso, ver a balança diminuir e,…

Barbara Reis celebra primeira vez saindo de short depois de cirurgia de lipedema
Perder peso, ver a balança diminuir e, ainda assim, continuar com a sensação de que as pernas ou os braços permanecem praticamente iguais. Essa é a realidade de muitas mulheres com lipedema, doença crônica que afeta o tecido adiposo e costuma se manifestar principalmente nos membros inferiores.
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Nos últimos anos, o uso de medicamentos para emagrecimento, como semaglutida e tirzepatida, ampliou as discussões sobre perda de peso e composição corporal. Mas especialistas alertam que, nos casos de lipedema, nem sempre o emagrecimento acontece de forma proporcional em todas as regiões do corpo.
Segundo a cirurgiã plástica Heloise Manfrim, membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) e da Associação Brasileira de Lipedema (ABL), a gordura relacionada à doença tem características próprias e se comporta de maneira diferente da gordura corporal comum.
“O lipedema é uma doença crônica do tecido adiposo, que acontece predominantemente nas mulheres e tem uma distribuição bem característica, que é principalmente nos membros inferiores e, em algumas pacientes, nos membros superiores. Eu sempre gosto de reforçar que a gordura do lipedema não se comporta exatamente como a gordura corporal comum. Não é simplesmente uma região que o paciente foi lá e engordou um pouquinho mais”, afirma.
Ela explica que a condição envolve alterações estruturais no próprio tecido, incluindo mudanças nas células de gordura, na microcirculação e aumento de fibrose. “Por isso, além do aumento do volume, podem aparecer sintomas como peso nas pernas, sensibilidade, dor e facilidade para formar hematomas”, explica a médica.
Outra característica marcante é o padrão de distribuição da gordura:
“O lipedema tende a respeitar determinadas regiões do corpo e geralmente poupa mãos e pés. É justamente isso que cria aquele formato corporal tão característico que a gente vê na maioria das pacientes.”
Característica marcante do liepdema é o padrão de distribuição da gordura
Unsplash
Por que algumas regiões parecem não emagrecer?
Mesmo quando a perda de peso acontece de forma efetiva, pacientes com lipedema podem perceber pouca redução de medidas em áreas afetadas pela doença. De acordo com Heloise, isso ocorre porque o tecido acometido responde de forma diferente aos processos tradicionais de emagrecimento.
“A paciente pode emagrecer, perder gordura visceral, diminuir abdômen, cintura, face e até medidas do tronco, e mesmo assim perceber que as coxas, as pernas e até mesmo os braços não diminuíram na mesma proporção”, conta.
A especialista ressalta que essa diferença pode até tornar a desproporção corporal mais evidente: “Às vezes, quanto mais essa mulher emagrece, mais se identifica a desproporção do corpo. O tronco afina, a cintura aparece, mas os membros permanecem proporcionalmente maiores.”
Por isso, a médica destaca que lipedema e obesidade não são sinônimos. Para ela, é importante diferenciar a perda de peso global da resposta específica do tecido afetado pelo lipedema.
“As duas condições podem coexistir, mas são coisas diferentes. Inclusive, podemos ter uma paciente que tem peso bem adequado, magra, e ainda assim com lipedema bastante evidente. Se a paciente está diminuindo o peso, gordura visceral, circunferência abdominal e percentual de gordura em outras regiões, o emagrecimento está acontecendo. O fato de a perna não responder na mesma velocidade não significa que o tratamento falhou”, acrescenta.https://gshow.globo.com/realities/estrela-da-casa/2026/noticia/estrelas-da-casa-ouca-as-musicas-ineditas-dos-finalistas.ghtml
Outros sinais de evolução além do peso
O cirurgião plástico Rafael Erthal, referência no tratamento de lipedema, afirma que a evolução do tratamento não deve ser avaliada apenas pela balança. Segundo ele, sintomas como dor, inchaço e sensibilidade costumam ser indicadores mais confiáveis da melhora clínica.
“Na prática clínica, esses costumam ser indicadores mais confiáveis de progresso real do que o número na balança isoladamente. Dor espontânea, dor à palpação, edema, hematomas e circunferências são sinais e sintomas que devem ser acompanhados durante todo o tratamento”, indica.
O especialista acrescenta que exames de imagem também podem ajudar no acompanhamento: “Frequentemente também usamos a ultrassonografia como forma de avaliar a resposta ao tratamento. Por meio desse exame, conseguimos avaliar a espessura da gordura nas áreas acometidas pelo lipedema, bem como os sinais de atividade inflamatória no tecido adiposo.”
O papel da atividade física e da alimentação
Embora medicamentos para emagrecimento possam trazer benefícios, o tratamento do lipedema exige uma abordagem mais ampla. Para Rafael, o cuidado deve ser multidisciplinar e envolver hábitos capazes de controlar sintomas e melhorar a composição corporal.
Entre as estratégias, ele destaca o uso de meias de compressão, drenagem linfática, treinamento de força e atividades físicas de baixo impacto, como natação e hidroginástica:
“O treinamento de força é fundamental, responsável por fortalecer a musculatura das pernas, melhorando o retorno venoso e linfático e garantindo a estabilidade articular.”
Médico destaca o uso de meias de compressão, drenagem linfática, treinamento de força e atividades físicas de baixo impacto, como natação e hidroginástica
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Já a alimentação tem papel central no controle da inflamação associada à doença. “É recomendável uma dieta livre de ultraprocessados, açúcares e álcool. É essencial para controlar o processo inflamatório da gordura doente”, reforça Rafael.
Cuidados para quem usa canetas emagrecedoras
Com a popularização dos medicamentos da classe GLP-1, especialistas alertam para um risco importante: a perda de massa muscular durante o processo de emagrecimento.
“Os maiores erros envolvem restrição calórica muito agressiva sem ingestão proteica adequada, combinada ao efeito anorexígeno (capacidade de reduzir o apetite ou aumentar a saciedade) das medicações GLP, porque favorece perda de massa muscular em vez de gordura”, afirma Rafael.
Ele ressalta que a sarcopenia, condição caracterizada pela redução da massa muscular, pode ser uma consequência pouco percebida por muitas pacientes. Outro erro frequente, segundo o médico, é comparar a própria evolução com padrões vistos nas redes sociais. “Sem levar em conta que o lipedema responde de forma diferente, gera frustração”, completa.
A fisioterapia também faz diferença
A fisioterapeuta Grasielle Barros reforça que, dentro do tratamento fisioterapêutico, algumas condutas podem contribuir para reduzir dor, edema e sensação de peso, além de favorecer a função dos sistemas venoso e linfático. “Recursos como drenagem linfática e compressão podem ser utilizados de forma individualizada, conforme os sintomas e as necessidades de cada paciente”, explica.
A especialista acrescenta ainda que os primeiros sinais de melhora costumam aparecer antes mesmo da redução expressiva de medidas.
“Algumas pacientes percebem menos dor, inchaço e sensação de peso. Outras melhoram da sensibilidade, da mobilidade ou sentem mais conforto nas atividades do dia a dia. Muitas vezes, essas mudanças aparecem antes da redução de medidas”, conta.
Segundo ela, a diminuição do edema pode alterar a percepção corporal mesmo quando o peso permanece estável. Por isso, roupas mais folgadas, melhora do contorno corporal e maior sensação de leveza também devem ser considerados sinais positivos durante o tratamento.
Mesmo para quem utiliza medicamentos para emagrecer, a fisioterapia continua sendo uma aliada importante. Entre os recursos que podem ser utilizados de forma individualizada, a especialista cita drenagem linfática e terapias compressivas, que ajudam no controle do edema, da dor e da sensação de peso, contribuindo para a qualidade de vida das pacientes.
“A medicação pode auxiliar na perda de peso e na melhora metabólica, mas não substitui o cuidado específico com o lipedema”, finaliza.
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Fonte: Gshow
Perguntas frequentes
Respostas institucionais sobre esta cobertura, fontes e limites editoriais.
- Sobre o que trata “Lipedema e emagrecimento: entenda por que a perda de peso…”?
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