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O que é sexsonia ou sonambulismo sexual? Especialistas explicam causas e tratamentos
Homem acordado na cama enquanto mulher dorme Unsplash Você já ouviu falar em sexsonia ou sonambulismo sexual? O assunto ganhou…

Homem acordado na cama enquanto mulher dorme
Unsplash
Você já ouviu falar em sexsonia ou sonambulismo sexual? O assunto ganhou atenção após um caso viralizar no exterior e virar notícia no tabloide inglês “Daily Mail”. Na matéria, uma jovem relatou que seu namorado tem uma “condição rara” que o faz querer ter relação sexual enquanto está dormindo, que não se lembra de nada depois.
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O gshow conversou com o neurologista e médico do sono Lucio Huebra, membro do Conselho Administrativo da Academia Brasileira do Sono (ABS), e a sexóloga Claudia Petry para entender a condição.
“É como se houvesse uma espécie de ‘curto-circuito’ entre sono e vigília. A pessoa permanece dormindo, mas algumas funções motoras e comportamentais ficam parcialmente ativadas. Ela pode parecer acordada, inclusive estar com os olhos abertos e realizar movimentos aparentemente intencionais, mas isso não significa que esteja consciente ou tomando aquela decisão de forma voluntária”, explica a sexóloga.
Caso de sexônia foi relatado em matéria do ‘Daily Mail’
Reprodução
O que é sexsonia ou sonambulismo sexual?
Os entrevistados explicam que é um tipo de parassonia que envolve atividade sexual. Para quem não sabe, o termo é o nome dado a comportamento alterado durante o sono. Ou seja, a pessoa apresenta comportamentos sexuais enquanto está dormindo, como masturbação, gemidos, movimentos sexuais, tocar o parceiro ou até iniciar uma relação sexual, como no caso relatado na reportagem do tabloide inglês.
“O comportamento habitual enquanto dormirmos é manter os olhos fechados, os músculos progressivamente mais flácidos, o corpo inerte, deitado, sem muitos movimentos. Ela é uma variante das parassonias do sono não-REM, grupo do qual fazem também parte o sonambulismo e o despertar confusional.”
“Trata-se de um despertar parcial, em que a pessoa age sem ter consciência total, sem julgamento crítico adequado e sem se recordar no dia seguinte, apresentando comportamento de natureza sexual”, explica Lucio Huebra.
Claudia reforça que é importante lembrar que, durante esse episódio, a pessoa não está plenamente consciente do que está fazendo e, muitas vezes, não se lembra de nada no dia seguinte.
“É parecido com o que acontece no sonambulismo, só que o comportamento envolvido é sexual”, afirma.
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A pessoa nasce com isso ou adquire ao longo do tempo?
Segundo o doutor do sono, existe uma predisposição individual para todas as parassonias do NREM, provavelmente envolvendo fatores genéticos e do desenvolvimento e maturação cerebral. Ele comenta que muitas pessoas com sexônia apresentaram outros tipos de parassonia durante a infância e adolescência.
Claudia Petry diz também que esses casos podem estar relacionados a outros problemas do sono, como sonambulismo e apneia, além de fatores como privação de sono, estresse, álcool e alterações na rotina de sono.
Pessoas bebendo cerveja em encontro
Freepik
Quais são os impactos na vida da pessoa?
Os impactos são importantes. De acordo com os entrevistados, pode levar a constrangimento social, ansiedade com o dormir, com medo de apresentar o evento, e prejuízo na qualidade de sono, além de poder levar a conflitos e até situações graves de importunação e danos a outras pessoas.
“A sexsonia pode levar a consequências médico-legais, expondo o indivíduo e quem dorme próximo a atos sexuais não consensuais, às vezes violentos. Por isso, deve ser levado com toda a seriedade que a situação exige e, ao primeiro sinal, buscar acompanhamento e tratamento médico”, comenta Lucio.
Homem sentado na cama pensativo
Freepik
“A explicação médica para o comportamento não apaga o impacto causado na outra pessoa”, reforça a sexóloga. Como explicar para o parceiro sobre o ocorrido, que pode ser interpretado como estupro?
Segundo ela, essa é provavelmente a parte mais delicada: “Eu começaria dizendo que a pessoa não deve tentar resolver isso apenas com uma conversa do tipo: ‘eu estava dormindo, então não foi nada'”.
Se houve uma interação sexual sem consentimento, o impacto sobre a parceria precisa ser reconhecido e levado a sério. Explicar a condição não significa pedir para a parceria aceitar qualquer coisa. Consentimento continua sendo fundamental. Até que a situação seja investigada e controlada, o casal precisa priorizar a segurança e evitar situações em que um episódio possa colocar alguém em risco.
“Em casos com contato sexual não consentido, especialmente quando existe dúvida sobre o diagnóstico, é importante buscar avaliação médica especializada e, se necessário, orientação jurídica”, alerta.
Toda vez que a pessoa dormir, ela vai ter a condição ou existem gatilhos?
Os especialistas explicam que não. Ela pode acontecer com diferentes frequências para cada indivíduo e período. “Vários são os gatilhos que aumentam a ocorrência, sobretudo irregularidade de horários do sono, privação de sono, estresse, uso de álcool ou estimulantes, consumo excessivo de cafeína, uso de hormônios como a testosterona”, explica o médico.
“Até o contato físico com outra pessoa durante o sono pode funcionar como um gatilho em alguns casos”, complementa Claudia.
Mulher dormindo
Unsplash
Ambos os sexos podem ter? Há algum mais propenso?
Acometem ambos os sexos, porém há mais descrições em indivíduos do sexo masculino, especialmente dos eventos com consequências mais graves. A sexóloga acredita também que há uma subnotificação ainda da condição, já que o assunto é recente.
Os casos de sexsonia são raros?
É considerada uma condição rara e difícil de dimensionar, principalmente não havendo na literatura médica uma estimativa de sua frequência. Huebra explica que casos menos complexos, com apenas masturbação e vocalização, muitas vezes não demandam busca de atendimento médico e ficam não diagnosticados.
Outro problema para atrapalhar essa notificação, segundo a sexóloga, é a não lembrança do ocorrido por parte da pessoa.
“Há estudos em clínicas de sono que encontraram sintomas em uma parcela dos pacientes avaliados, mas isso não pode ser usado para dizer que essa é a prevalência na população geral”, comenta.
Homem dorme enquanto mulher está acordada
Unsplash
Como identificar que tenho sexsonia?
Como o indivíduo não tem consciência do ato e não se recorda no dia seguinte, a sexônia é mais comumente percebida por alguém que dorme na mesma cama. Assim, na suspeita, deve-se buscar atendimento especializado para investigação adequada.
Segundo o especialista, ele envolve uma entrevista direcionada e minuciosa, exame clínico e, em muitos casos, a realização de polissonografia com monitorização por vídeo. Petry lista alguns sinais para o parceiro ficar atento:
A pessoa parecer difícil de despertar;
Responder pouco quando é chamada;
Apresentar comportamentos sexuais incomuns e depois não se lembrar do episódio.
Casal junto na cama
Unsplash
Há tratamento? Tem como evitar?
O primeiro passo, segundo os especialistas, é evitar gatilhos. Estratégias de higiene do sono, tratamentos para outros distúrbios do sono e condições que levam à fragmentação e instabilidade do sono são recomendadas por eles. Em casos persistentes, mesmo após estas medidas, o tratamento medicamentoso pode ser feito.
Petry reforça também que, enquanto a situação não estiver controlada, também é importante pensar em segurança. Dependendo da intensidade dos episódios, pode ser necessário dormir separado da parceria temporariamente ou adotar outras medidas preventivas.
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Fonte: Gshow
Perguntas frequentes
Respostas institucionais sobre esta cobertura, fontes e limites editoriais.
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