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Mercados de dopamina: o que são e os efeitos nocivos à saúde mental
No Papo de Segunda, neurocientista fala sobre os malefícios do ‘mercado da dopamina’ Você já passou horas circulando em sites…

No Papo de Segunda, neurocientista fala sobre os malefícios do ‘mercado da dopamina’ Você já passou horas circulando em sites de compras, enchendo o carrinho online e, no fim, não comprando nada? Saiba que esse comportamento é mais comum do que você imagina, tanto que foram criadas plataformas digitais apenas para simular a experiência de compra. Nos chamados “mercados da dopamina”, os usuários selecionam os itens que querem comprar – desde uma comida a uma bolsa cara – e acompanham a entrega… Sem que nenhuma compra seja realmente finalizada. ✅ Baixe o globopop, o app de vídeos verticais da globo Mas o que estes sites ganham com isso? O objetivo não é vender produtos, mas estimular a sensação de expectativa e recompensa, alimentar o prazer (ainda que falso) de consumir e, é claro, aprender sobre os hábitos de consumo dos usuários e vender estes dados. Mercados de dopamina: o que são e os efeitos nocivos à saúde mental Freepik Para a neurocientista Diana Petry, o assunto “simplifica um funcionamento cerebral muito mais complexo”, já que a mente não responde apenas ao resultado em si, mas a todo o processo que envolve uma compra: “Em muitos casos, a própria construção da expectativa já é suficiente para gerar sensação de envolvimento e satisfação temporária. Esse movimento reforça que, muitas vezes, o que procuramos não é apenas o objeto, mas a sensação psicológica de possibilidade, novidade ou conquista.” A especialista explica que isso acontece porque neurônios dopaminérgicos ficam em alerta para essa recompensa futura: a expectativa de que algo vai acontecer domina a atenção. Depois que essa recompensa fictícia é recebida, a euforia diminui, o que é semelhante ao que pode acontecer em uma transação real: compramos o item que desejamos muito, ficamos felizes e logo esse pico de animação se dissipa. “Quando percebemos que esse comportamento [nos mercados de dopamina] está sendo usado repetidamente para aliviar ansiedade, estresse ou desconforto emocional, vale a pena buscar outras formas de regulação emocional”. O algoritmo e o estímulo às compras (reais) Mas e quando a compra não só é real, como aparece registrada em várias parcelas do seu cartão de crédito? O assunto foi pauta no Papo de Segunda desta semana, que também abordou o impacto das redes sociais no incentivo ao consumo compulsivo. Mercados de dopamina: o que são e os efeitos nocivos à saúde mental Freepik O filósofo Francisco Bosco defendeu que as plataformas exploram a fragilidade humana em um “mundo dopaminérgico que nos incentiva a regimes de estimulação sensorial”. Ele ainda citou como exemplo o fato de as notificações do celular serem inspiradas nos sons de recompensa do cassino. E, com os algoritmos cada vez mais afiados, vivemos em uma cultura em que somos constantemente estimulados a desejar: o tempo todo, as pessoas são expostas a anúncios de produtos personalizados, promoções, conteúdos de influenciadores e novas tendências. Segundo Diana Petry, o cérebro evoluiu para prestar atenção às novidades, mas ele não evolui sozinho: “Os algoritmos digitais utilizam exatamente essa característica. Eles oferecem estímulos personalizados, novidades constantes e pequenas doses de imprevisibilidade, elementos que mantêm nossa atenção por mais tempo. Com isso, passamos a experimentar uma sensação frequente de que sempre existe algo melhor ou mais desejável esperando por nós”. Isso faz com que uma recente aquisição ou conquista se torne banal em pouco tempo. É dessa insatisfação que nascem o tédio e, consequentemente, a busca por novidade em um ciclo sem fim. Quando o consumismo merece atenção? Atualmente, o Brasil possui quase 84 milhões de inadimplentes, o maior patamar da série histórica, conforme levantamento do Serasa. Catherine*, de 39 anos, que trabalha no mercado de moda, só percebeu que estava gastando além da conta quando começou a fazer terapia, há cerca de 10 anos. Os Delírios de Consumo de Becky Bloom (2009) Reprodução/IMDb Ela conta que descontava nas compras todas as frustrações, como uma forma de compensar o sofrimento. Ainda assim, a comunicadora relata que não é bem um arrependimento que sente pelos gastos do passado, mas reconhece que poderia ter investido em itens essenciais. “Normalmente, me arrependo depois, quando passa o pico da ansiedade pela compra. Era um dinheiro que poderia ter poupado para mim, mas na hora da euforia, de me mimar em um momento difícil, acabei extrapolando. Mas não sei se é um arrependimento, porque todas as compras me deixaram bonita”. Dezenas de botas, bolsas, jaquetas de coleções limitadas e mais de 100 saias se acumularam no guarda-roupa na mesma medida em que sua conta bancária esvaziava: “Acabei usando alguns sapatos pouquíssimas vezes. Não valeu o investimento, mas me senti poderosa com eles”. Mas o auge, segundo ela, foi quando abriu mão de adquirir itens básicos para casa ou até deixar de fazer uma refeição. O motivo? “Já deixei de jantar para juntar dinheiro e comprar algo caro que queria. Em outra ocasião, tive que escolher entre uma bolsa de grife e um sofá: eu optei pela bolsa e só depois comprei o móvel”. As Patricinhas de Beverly Hills (1995) Reprodução/IMDb Para a neurocientista, é importante entender os gatilhos emocionais que causam esse desejo, já que os prejuízos vão além do financeiro e passam pelo sentimento de culpa e problemas familiares. “Alguns sinais merecem atenção: perceber que a vontade de comprar aparece sempre após momentos de estresse, sentir culpa depois das compras, esconder gastos ou comprometer o orçamento”. Ela ainda destaca a importância de criar momentos de pausa, desconectar das redes sociais e buscar formas de ampliar as fontes de recompensa. Segundo ela, é uma questão de estimularmos o cérebro a encontrar prazer e bem-estar em conexões sociais, atividade física e hobbies: “Assim, a necessidade de buscar pequenas recompensas imediatas tende a diminuir. O cérebro precisa de períodos em que não esteja sendo constantemente estimulado por notificações, ofertas e novidades”. *Nome alterado para preservar a identidade do entrevistado. Veja mais! 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Perguntas frequentes
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- Sobre o que trata “Mercados de dopamina: o que são e os efeitos nocivos…”?
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