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Álbum de Adriana Calcanhotto com Arnaldo Antunes, 'Vice-versa' não faz jus aos dois finos estilistas da canção

Arnaldo Antunes e Adriana Calcanhotto apresentam dez parcerias e regravam música da Timbalada no álbum ‘Vice-versa’ Leo Aversa / Divulgação…

Arnaldo Antunes e Adriana Calcanhotto apresentam dez parcerias e regravam música da Timbalada no álbum ‘Vice-versa’
Leo Aversa / Divulgação
♫ CRÍTICA DE ÁLBUM
Título: Vice-versa
Artistas: Adriana Calcanhotto e Arnaldo Antunes
Cotação: ★ ★ ★
♬ Adriana Calcanhotto e Arnaldo Antunes são da mesma tribo. Ambos fazem música em refinado diálogo com a poesia e com as artes plásticas, além de terem livros publicados. São artistas que zelam pela alta qualidade da palavra musical e poética.
Por isso mesmo, soa natural um álbum conjunto da artista gaúcha – herdeira das liberdades tropicalistas projetada nacionalmente em 1990 – com o cantor e compositor paulistano revelado em 1982 como integrante do grupo Titãs.
Esse álbum, “Vice-versa”, foi lançado sem aviso prévio ao meio-dia de hoje, terça-feira, 22 de setembro, em edição da gravadora Universal Music. O repertório é composto por onze músicas. Dez são parcerias inéditas de Adriana com Arnaldo. A exceção é a sedutora gravação moderninha de “Sorriso livro” (Carlinhos Brown, Denny e Edmundo Carôso, 2006), música lançada há 20 anos pela banda Timbalada no álbum “Alegria original” (2006).
Gravado com produção musical de Pupillo, mixado por Guigo Berger e masterizado por Fili Filizzola, o álbum “Vice-versa” chega ao mundo em sincronia com o anúncio de uma turnê conjunta dos artistas, programada para acontecer entre março e abril de 2027 por seis capitais do Brasil.
Capa do álbum ‘Vice-versa’, de Adriana Calcanhotto e Arnaldo Antunes
Leo Aversa / Divulgação
Infelizmente, a safra autoral do álbum “Vice-versa” resulta aquém dos históricos desses criativos artistas que se tornaram parceiros há 20 anos – com a composição da canção “Para lá”, lançada por Arnaldo no álbum “Qualquer” (2006) – e que até já fizeram show juntos em 2024.
O repertório do álbum “Vice-versa” está longe de reeditar a verve de Calcanhotto como letrista e tampouco a engenhosidade do jogo de palavras recorrente no cancioneiro de Arnaldo. Falta uma grande canção entre as dez parcerias inéditas dos compositores, ainda que a apaixonada balada “Por ti, por mim, por nós” chegue perto.
Aberto com o samba “Também capaz”, sustentado pelo arsenal percussivo disparado pelo produtor Pupillo (bateria, caxixi, pandeiro, paddle drums, tamborim e bombo), o álbum “Vice-versa” foi formatado com os toques de músicos de ponta da cena contemporânea como Pedro Sá (guitarra), Vitor Araújo (piano, Rhodes e sintetizador) e Lucas Martins (baixo).
A percussão também sobressai na base de “As bancas de jornais”, música cuja letra tem mais o D.N.A. poético de Arnaldo do que de Adriana, mas sem a contundência de outrora dos versos do Titã das palavras.
Faixas como “Se for para ser agora” – música que tem Pupillo na coautoria, assim como o samba-rock “Contemplando a folia” – inserem Calcanhotto no universo tribalista. Alias e a propósito, Marisa Monte é parceira de Adriana Calcanhotto e Arnaldo Antunes em “Na minha carne viva”, outra faixa de clima tribalista.
Há também flerte com a estética do indie-rock no revestimento instrumental de “Você não vai me achar”. Em que pese a introdução no toque minimalista de piano, pista falsa, “Não me dão” é rock mediano que poderia figurar em disco do grupo Titãs. O rock deverá crescer no show.
Minimalista é mesmo a canção “Agora juntos”, introduzida pelo canto cavernoso de Arnaldo. Destaque do álbum “Vice-versa”, a música “Agora juntos” evolui para um samba meio lento, entoado com certa serenidade, com os artistas se deixando levar pela maré calma da faixa, única música não entoada em uníssono por Adriana e Arnaldo ao longo do álbum, com os artistas se alternando no canto.
Com vocal feminino de aura sacra no verso “Graças a Deus, Deus não me deu”, a música “Não me deu” também se impõe na atual safra autoral dos artistas no arremate do álbum “Vice-versa” com um canto falado de versos recitado ao estilo de Arnaldo. Ali, em Não me deu”, faixa de instrumental quase plácido, aparece com toda a plenitude a pulsão criativa de dois compositores repletos de afinidades nas respectivas obras.
Adriana Calcanhotto e Arnaldo Antunes são tão grandes que o ouvinte se frustra ao buscar, e quase sempre não achar, a amplitude poética e musical dos artistas ao longo do álbum Vice-versa”.
Adriana Calcanhotto e Arnaldo Antunes transitam entre samba, balada e rock ao longo do álbum ‘Vice-versa’
Leo Aversa / Divulgação

Fonte: G1 Pop Música

Perguntas frequentes

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Sobre o que trata “Álbum de Adriana Calcanhotto com Arnaldo Antunes, 'Vice-versa' não faz…”?
Arnaldo Antunes e Adriana Calcanhotto apresentam dez parcerias e regravam música da Timbalada no álbum 'Vice-versa' Leo Aversa / Divulgação ♫ CRÍTICA DE ÁLBUM Título: Vice-versa Artistas: Adriana Calcanhotto e Arnaldo Antunes Cotação: ★ ★ ★…
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Thiago Carvalho

Thiago Carvalho

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