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Rick Bonadio questiona críticas da Fresno: ‘sem mim, continuou dando certo?’

*Por Pedro Hollanda e Igor Miranda | Rick Bonadio se tornou uma figura vital para o estabelecimento do emo no…

*Por Pedro Hollanda e Igor Miranda | Rick Bonadio se tornou uma figura vital para o estabelecimento do emo no mainstream. Todavia, nem toda banda do estilo tem lembranças boas de trabalhar com o produtor musical paulista. Fresno é uma delas.

Em entrevista ao canal de YouTube de Mateus Starling, Bonadio respondeu a um comentário feito pelos integrantes Lucas Silveira e Vavo sobre uma discordância durante a época na qual a banda gaúcha gravou com o profissional — mais especificamente entre 2008 e 2010, com os álbuns Redenção e Revanche. Para eles, Rick entregou um trabalho “muito limpo e pouco produzido”, em especial no Redenção, justo o disco mais popular.

Questionado se via razão na avaliação dos músicos, Rick, inicialmente respondeu:

“Não, com certeza não. Com certeza não. [Risos.]”

Em seguida, complementou:

“Hoje o Lucas está muito mais na minha posição do que estava naquela época. Então, se ele estivesse produzindo o Rick ou outra banda, ele também teria esse problema. Mas é isso é normal. Eu já era super tarimbado enquanto eles eram jovens. Meu objetivo era não permitir que a viagem da cabeça deles atrapalhasse o resultado. Acho que quando o Lucas fala isso, ele olha com a cabeça de 20 anos atrás. Era isso que tinha que ser feito, tanto que deu certo.”

De toda forma, Bonadio assume a responsabilidade pelas decisões tomadas ao produzir a Fresno. Não apenas como produtor, como também na posição de diretor da gravadora Arsenal Music, com a qual o grupo tinha vínculo.

“Isso eu tenho que assumir a responsabilidade. Fui eu mesmo. Eu era o produtor do Fresno, eu era o diretor da gravadora. Eu falava: Fresno era mal gravado, tinha um público no underground, mas eu queria amplificar isso para um número muito maior de pessoas. Eles também queriam isso. Ué, se eles me procurarem e assinaram comigo, o interesse era mútuo.”

O produtor ainda deu um exemplo de como o NX Zero estava mais pronto para o sucesso por ter mais disposição para seguir suas direções e abraçar um caminho mais pop. Ao seu ver, a Fresno não era rock por causa do conteúdo das músicas, mas a banda não aceitava isso.

“O trabalho foi feito para impulsionar a Fresno, e impulsionou, mas eles tinham mais resistência, por exemplo, que o NX Zero, também contemporâneo deles. O NX Zero estava mais preparado. O fato de talvez ser de São Paulo… eles já estavam na competição, e aí o NX chegou muito mais longe por motivos assim, talvez. Lembro que o Lucas disse: ‘somos roqueiros’ e eu: ‘vocês não são roqueiros, vocês são pop’. Eles se achavam os mega-roqueiros. Naquela época, roqueiro para mim era o Chorão [Charlie Brown Jr], no conceito da vida. Os meninos da Fresno eram bons meninos. São pop, música romântica, letra de amor, doída, sofrida. Nasci em 1969, para mim roqueiro é outra coisa.”

Por fim, ele propôs uma comparação entre a popularidade da Fresno quando o grupo ainda contava com sua produção e a fama atual. O produtor afirmou:

“A única coisa que importa de toda essa conversa é: deu certo? Deu certo depois que eles saíram da minha gravadora? Continuou dando certo? Aí precisa questionar isso. Aí você vai ver se estava bom ou se não estava. […] Não me arrependo de nada, mas não me lembro todas as decisões.”

Como citado, a Fresno gravou dois álbuns com Bonadio: Redenção (2008) e Revanche (2010). Ambos os lançamentos continuam sendo os mais comercializados da banda em ponto de vista comercial, em especial Redenção, que conquistou disco de ouro pelas 50 mil cópias vendidas.

Embora nunca tenham comercializado álbuns nessa quantidade após retornar ao cenário independente em 2011, o grupo permanece ativo até hoje e tem um público extremamente fiel. O show de lançamento de seu álbum mais recente, Carta de Adeus (2026), ocorreu diante de um público de 8 mil fãs no Espaço Unimed, em São Paulo, no último mês de abril. No mês seguinte, eles se apresentaram para 70 mil pessoas no Parque da Redenção, em Porto Alegre.

O que mais a Fresno disse sobre Rick Bonadio

Na aparição de Lucas e Vavo no mesmo canal de YouTube, em maio de 2025, os integrantes contaram que tinham um método de trabalho bem estabelecido ao longo de três álbuns independentes, no qual usavam muita tecnologia digital e tudo era bem preciso. Bonadio, ao ver dos dois, se apoiava numa sonoridade consagrada nos anos 1990 pelo Metallica e não queria dialogar com a Fresno para encontrar o melhor som para a banda. Como exemplo positivo desse tipo de interação entre artista e produtor, Silveira citou a parceria entre Liminha e Forfun:

“Faltava um parceiro, um produtor que falasse assim: ‘Entendi o que vocês querem. Isso aqui é assim que faz, né?’. Como aconteceu com o Forfun, quando o Liminha se apaixonou pelo Forfun e os produziu, aí eles mostraram pro Liminha, que falou: ‘Tá, isso aqui é Mesa/Boogie [amplificador de alto ganho]. A gente vai ter que meter uns Mesa/Boogie aqui. Ah, isso aqui é bateria com replacer torado [técnica de sampling]. Vamos fazer assim’. Era um produtor disposto a chegar na sonoridade que às vezes nem ele conhecia.”

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Thiago Carvalho

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